sábado, 14 de abril de 2012

17 de Abril dia da Luta Campesina Carajás: 16 anos de impunidade












Carajás: 16 anos de impunidade


Por José Coutinho Júnior, Da Página do MST em  5 de abril de 2012

Quando eu morrer

Cansado de guerra

Morro de bem
Com a minha terra:
Cana, caqui
Inhame, abóbora
Onde só vento se semeava outrora
Amplidão, nação, sertão sem fim
Ó Manuel, Miguilim
Vamos embora
(Chico Buarque – Assentamento)



“Morrer de bem com a minha terra”. Infelizmente, muitos sem-terra já morreram sem ter uma terra que possam chamar de sua. O massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido em 1996, na BR 155, sul do Pará, no qual 155 policiais militares utilizaram armas de fogo contra 1500 Sem Terras, entre os quais mulheres e crianças.

A ação da PM assassinou 19 camponeses e expôs para todo o país a questão da violência no campo contra aqueles que lutam pela Reforma Agrária. Até hoje, ninguém foi punido pelo massacre, e os sobreviventes, mutilados tanto física quanto psicologicamente, continuam sem receber a devida assistência médica.


Em 2002, o então presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu o dia 17 de abril como o Dia Internacional de Luta pela Terra. O MST realiza durante o mês de abril jornadas de lutas, com ocupações, marchas e atos pelo país inteiro, para pressionar o governo a priorizar a pauta da Reforma Agrária e honrar a memória daqueles que perderam suas vidas na luta pela terra. 



“Nosso dia de lutas surgiu infelizmente por causa de Eldorado dos Carajás. O latifúndio é inerentemente violento e impede as pessoas de viver e trabalhar no Campo. O que ocorreu em Carajás nos dá força e clareza para lutar, pois enquanto houver latifúndio, a desigualdade, violência e falta de democracia no Campo vão continuar”, acredita Jaime Amorim, dirigente do MST em Pernambuco.



Para Dom Tomás Balduíno, Bispo emérito de Goiás co-fundador da Comissão Pastoral da Terra (CPT), “esse dia lembra a força da caminhada dos trabalhadores do Campo, que se arrasta desde Zumbi dos Palmares até hoje na história do Brasil. A luta pela Reforma Agrária não é questão de conseguir apenas um pedaço de chão, mas de mudar nosso país. A luta é profunda, ampla e de mudanças”.



A terra está ali, diante dos olhos e dos braços, uma imensa metade de um país imenso, mas aquela gente (quantas pessoas ao todo? 15 milhões? mais ainda?) não pode lá entrar para trabalhar, para viver com a dignidade simples que só o trabalho pode conferir, porque os voracíssimos descendentes daqueles homens que primeiro haviam dito: “Esta terra é minha”, e encontraram semelhantes seus bastante ingênuos para acreditar que era suficiente tê-lo dito, esses rodearam a terra de leis que os protegem, de polícias que os guardam, de governos que os representam e defendem, de pistoleiros pagos para matar. (José Saramago)



Dezesseis anos depois do massacre, os conflitos no campo continuam; neste ano, três membros do MLST foram assassinados em Minas Gerais. Já em Pernanbuco, outros dois companheiros do MST foram tombados por balas de pistoleiros nos últimos dias. 



Jaime acredita que hoje a violência contra os assentados está mais seletiva. “Temos dois tipos de violência: a primeira, perpetrada por grandes grupos de fazendeiros atacando lideranças locais, como aconteceu este ano. A segunda é a violência do Estado, que se utiliza do aparato jurídico para impedir as pessoas de olhar para frente e enxergar a perspectiva de uma Reforma Agrária concreta. O fato de que temos muitos acampamentos que já duram 10, 15 anos pela desapropriação do Estado é por si só uma violência”.



Dom Tomás afirma que esta violência ocorre porque “o poder público nega sistematicamente a Reforma Agrária, apoiando o discurso dos grandes fazendeiros e empresas de que ‘o agronegócio é o modelo do progresso’. Tudo que se opõe a este suposto progresso, segundo essa lógica, são obstáculos que devem ser removidos”.



Aliado a isso está o papel da mídia, cujas informações refletem os interesses das elites

alinhadas com o agronegócio. “A imprensa mudou sua postura: antigamente ela criminalizava os movimentos e desqualificava a luta e as lideranças. Hoje, ela tenta ignorar as lutas sociais de sua agenda, e a população, sem informação, se afasta do tema, formulando ideias de que o movimento está desmobilizado ou que a luta pela Reforma Agrária não é mais importante”, analisa o dirigente do MST.

E se, de repente
A gente não sentisse
A dor que a gente finge
E sente
Se, de repente
A gente distraísse
O ferro do suplício
Ao som de uma canção
Então, eu te convidaria
Pra uma fantasia
Do meu violão
(Chico Buarque – Fantasia)



Para que a Reforma Agrária torne-se realidade e a felicidade deixe de ser uma fantasia, é preciso lutar. Jaime afirma que “estamos animados para a jornada de lutas deste ano, pois ela vai ser uma demarcação de força. Estamos construindo uma unidade maior entre unidades e movimentos do campo, pois todos nós temos sido agredidos pelo mesmo aparato. Temos que nos unir para soltar um grande grito pela Reforma Agrária e contra o latifúndio”.


O rio de camponeses se põe novamente em movimento; foices, enxadas e bandeiras se erguem na avalanche incontida das esperanças nesse reencontro com a vida - e o grito reprimido do povo sem-terra ecoa uníssono na claridade do novo dia: "REFORMA AGRÁRIA, UMA LUTA DE TODOS!" (Sebastião Salgado)"



Terra, 15 anos  

Os trechos em negrito e a foto desta matéria foram retirados do livro Terra, que foi lançada há 15 anos. O livro é composto por fotos do fotógrafo Sebastião Salgado sobre a vida dos indígenas e camponeses em um país cuja terra não lhes pertence mais. O prefácio é do escritor José Saramago, e as músicas de Chico Buarque, cujo CD acompanha a obra. Os três juntos constituem a Coleção Terra, criada em 1997. Para Dom Tomás, a arte com foco político se faz fundamental, pois “o povo que luta também celebra, canta, faz seus repentes e trovas. A caminhada do povo é poética, inspirada na mística e profética”.


Jaime avalia que “o MST sempre produziu muito culturalmente, e isto serve de inspiração para quem acompanha o Movimento de fora, como artistas famosos, apoiarem o movimento. Mas os momentos onde a arte está mais próxima da luta política são os momentos de maior mobilização. Arte, cultura e educação caminham lado a lado no movimento”.


Fonte:

Carajás: 16 anos de impunidade | MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Disponível em: http://www.mst.org.br/Eldorado-dos-Carajas-mutilados-continuam-sem-receber-a-devida-assistencia-medica.

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Ruralista é suspeito de matar agente da PF no Paraná

Empresário da Região é preso acusado de matar policial federal
Alessandro Meneghel (CGN) - foto: CGN
Um agente da Polícia Federal foi morto na madrugada deste sábado em frente a uma danceteria no centro de Cascavel (a 498 km de Curitiba). Alexandre Drummond Barbosa, 36, foi atingido por disparos de espingarda calibre 12 e de pistola.

Segundo a Polícia Civil, ainda durante a madrugada, o líder ruralista Alessandro Meneghel ligou para a PF, confessou o crime e indicou o local onde estava. Ele foi preso em uma de suas fazendas e indiciado sob suspeita de homicídio qualificado.

Testemunhas ouvidas informalmente pela polícia relatam que o fazendeiro e o policial estavam na casa noturna onde tiveram uma discussão.

Meneghel deixou o ambiente, foi até o carro e aguardou o policial sair para fazer os disparos. Mesmo caído, o agente revidou e disparou contra o fazendeiro, que foi atingido de raspão no rosto. Barbosa foi socorrido, mas morreu a caminho do hospital.

A polícia investiga denúncias de que havia outra pessoa com Meneghel. Imagens registradas pelo circuito interno de duas casas noturnas já estão com a polícia.

O caso será investigado pelo delegado da Polícia Civil Luiz Rogério Sodré, mas a PF vai acompanhar o inquérito. Até as 11h30, Meneghel não havia sido ouvido pela polícia, que pretende interrogá-lo na tarde deste sábado.

A polícia estuda a possibilidade de pedir a transferência do ruralista para o presídio de segurança máxima de Catanduvas.

HISTÓRICO

Meneghel, que já presidiu a SRO (Sociedade Rural do Oeste), tem histórico de envolvimento em ações violentas no Paraná.

Em outubro de 2007, ele foi acusado de liderar um ataque contra um grupo sem-terra que invadiu uma fazenda que à época pertencia a multinacional Syngenta Seed, em Santa Tereza do Oeste (20 km de Cascavel). Um segurança e um líder do MST morreram no conflito agrário.

Em 2009 Meneghel foi preso e passou três meses na cadeia sob a acusação de porte ilegal de arma.

O advogado Tadeu Karasek Junior, defensor do ruralista, não quis comentar a prisão por ainda estar acompanhando os depoimentos.


Fonte:

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Apoio de ministra é esperança para punir assassinos de camponês em Rondônia — Rede Brasil Atual


Deputados e representantes de familiares de Adelino Ramos, o Dinho, pedem ajuda para reabrir apuração sobre o assassinato, ocorrido em 2011
Por: João Peres, Rede Brasil Atual - Publicado em 12/04/2012, 19:40

Apoio de ministra é esperança para punir assassinos de camponês em Rondônia
Maria do Rosário deve assumir compromisso de envolver governo federal nos casos de violência no campo (Foto: Sul21/Arquivo RBA)
São Paulo – A obtenção de apoios em Brasília virou a chave para garantir a punição dos assassinos do camponês Adelino Ramos, morto em 2011 em Vista Alegre do Abunã, em Rondônia. Em reunião realizada esta semana com a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, e os deputados federais João Paulo Cunha (PT-SP) e Domingos Dutra (PT-MA), representantes dos familiares de Adelino, o Dinho, cobraram a federalização do caso. “É quase impossível dar sequência à investigação sem a federalização do tema”, diz o padre Leo Dolan, integrante do Comitê Nacional de Solidariedade ao Movimento Camponês de Corumbiara. “Acredito que a ministra, que tem sensibilidade, poderá nos ajudar.”
Dinho, sobrevivente do massacre de Corumbiara, em 1995, foi morto em maio do ano passado em meio a mais um movimento por reforma agrária no norte do país. Apontado como responsável pelo crime, Osias Vicente ficou detido durante seis meses, mas, libertado em 17 de dezembro, foi assassinado um mês depois. No começo de fevereiro, o Tribunal de Justiça de Rondônia anunciou o arquivamento da apuração sobre a morte de Dinho com base na inexistência de acusados, o que barrou a possibilidade de chegar aos mandantes do crime. “Osias foi queima de arquivo. Há muito mais envolvidos do que isso”, lamenta o religioso. Ao lado dos deputados, ele pediu proteção aos familiares de Dinho durante o encontro de quarta-feira (11).
Em nota, a ministra se comprometeu a levar o caso ao Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH). Até hoje, o instrumento da federalização foi utilizado uma única vez, em 2010, no processo sobre o assassinato do advogado Manoel Mattos. “Na ocasião, o CDDPH foi um dos órgãos que mais se empenhou para o deslocamento de competência da Justiça Estadual para a Justiça Federal. A medida é baseada na Emenda Constitucional 45/2004, que prevê o deslocamento de competência para hipóteses de grave violação de direitos humanos”, indicou a Secretaria de Direitos Humanos.

Anistia dos sem-terra

Os parlamentares sugeriram ainda à ministra que dê apoio ao Projeto de Lei 2.000, de 2011, que pede a anistia dos camponeses condenados pelo massacre. Durante uma ocupação promovida por trabalhadores sem-terra em Rondônia, Polícia Militar e pistoleiros assassinaram, segundo números oficiais, 14 pessoas, entre elas uma criança de 9 anos. A morte de dois policiais levou à abertura de ações contra Dinho e mais três camponeses. Dois deles foram levados a julgamento, incluindo o filho do camponês, Claudemir Ramos, condenado e foragido desde 2004. A história dele foi contada pela Rede Brasil Atual na série “Foragido da injustiça”.
Provocada a se pronunciar a respeito, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos indicou que o processo estava cercado de ilegalidades, como o fato de se basear em apuração conduzida pela Polícia Militar. O promotor que assina a ação, Elício de Almeida e Silva, admitiu em entrevista que, por haver assumido a comarca de Colorado do Oeste há pouco tempo, baseou sua apuração naquilo que havia sido encaminhado pela Polícia Civil, que, por sua vez, reproduziu em grande parte as investigações da PM. 
A comissão, integrante da Organização dos Estados Americanos (OEA), não pôde levar o caso adiante porque a chacina ocorreu antes que o Brasil ingressasse no sistema regional de Justiça, mas manifestou que o país deveria reabrir a apuração e voltar a avaliar a condenação dos camponeses. “O caso não foi bem examinado. Tem muita coisa que não cola”, afirma o padre. “É muito difícil. Mas é possível.”

Fonte:
Apoio de ministra é esperança para punir assassinos de camponês em Rondônia — Rede Brasil Atual

quinta-feira, 5 de abril de 2012

LANÇAMENTO DO FÓRUM PARANAENSE DE RESGATE DA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA EM 12 DE ABRIL




Com o apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, ficou decidido que em 12 de abril de 2012 às 19h30, no Teatro da Reitoria da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, ocorrerá o ato de lançamento do Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça. Este  movimento tem como objetivo respaldar os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, promovendo a mobilização da sociedade e ajudando na investigação dos crimes contra os direitos humanos ocorridos no Paraná, durante o período da Ditadura.


O Fórum terá a finalidade de respaldar e acompanhar os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, que terá um prazo de dois anos para apresentar um relatório sobre as violações de direitos humanos ocorridas no país durante o período da ditadura e será composta por sete membros, nomeados pela Presidência da República.


A primeira reunião para definir o lançamento do ato ocorreu em 17 de janeiro de 2012, na sede da CUT/PR, dando início ao movimento, cuja criação nacional foi sancionada em novembro passado pela presidente Dilma Rousseff. Nesta primeira reunião estiveram presentes representantes da CUT/PR, APP-Sindicato, UFPR, UPE, UPES, UJS, Juventude do PT, CEBRAPAZ-PR, INFCAR, além do PCdoB, PT e do deputado federal João Arruda do PMDB-PR.


Além das entidades ligadas à luta pelos direitos humanos, citadas acima, estarão presentes no ato do dia 12, a Universidade Federal do Paraná, a Secretaria de Estado da Justiça, o Ministério Público do Paraná, OAB-Paraná, sindicatos, MST, partidos políticos, e movimentos estudantis.



quarta-feira, 4 de abril de 2012

Extrativista do AM ameaçada de morte por conflitos agrários é executada - notícias em Amazonas

De G1 - AMAZONAS  Atualizado em 04/04/2012 22h51

Mulher foi morta em frente ao filho de cinco anos, afirmou Pastoral da Terra. Cerca de 32 pessoas estão em lista de pessoas ameaçadas no Amazonas.

Marina Souza

Do G1 AM

Agricultora foi morta na frente do filho de cinco anos (Foto: Arquivo Pessoal)Agricultora foi morta na frente do filho de cinco anos
(Foto: Arquivo Pessoal)













A polícia   investiga a morte da trabalhadora rural amazonense Dinhana Nink, de 28 anos, assassinada na madrugada de sábado (31) em Nova Califórnia, Rondônia. O filho da vítima, de cinco anos, testemunhou o crime. Ela era natural de Lábrea, município a 610 km de Manaus, e estava na lista elaborada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) de pessoas ameaçadas de morte na Amazônia por conflitos agrários.

A CPT informou ao G1 que a vítima disse, dias antes de ser assassinada, que estava sendo seguida por dois homens em motocicletas. Segundo a Comissão, a dupla acompanhava diariamente o trajeto da agricultora do trabalho à casa. Na madrugada de sábado (31), os pistoleiros invadiram a casa da trabalhadora rural quando ela se preparava para dormir e a mataram, na frente do filho de cinco anos, com um tiro de espingarda no peito.

De acordo com a coordenadora da CPT do Amazonas, Francisneide Lourenço, em novembro de 2011, a extrativista foi agredida fisicamente e perdeu a casa, localizada no Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Gedeão, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em um incêndio criminoso.

Ainda segundo a CPT, Dinhana era ameaçada de morte por grileiros da região do Sul de Lábrea. As ameaças começaram após a agricultora denunciar à polícia a agressão física cometida pelo filho de uma mulher suspeita de extração ilegal de madeira e grilagem no município. "Esta mulher passou a dizer que ia mandar matá-la. Tacaram fogo na casa dela e contrataram pistoleiros para tirar a vida da agricultora", ressaltou Francisneide.
O Brasil nem o mundo conhecem a nossa realidade. Não digo isso porque minha filha morreu, mas porque sei que mais pessoas vão morrer ali"
Ermelindo Nink, pai da vítima
A Comissão da Pastoral informou ainda que mais duas pessoas estariam na lista de pessoas ameaçadas por este grupo de grileiros. "Segundo informações, os pistoleiros foram contratados para matar três pessoas. Uma já foi, mas não sabemos quem são os outros dois", disse a coordenadora da CPT no Amazonas.

Em entrevista ao G1, o pai de Dinhana, Ermelindo Nink, de 50 anos, contou que a filha deixaria a cidade devido às ameaças. "Ela deveria estar chegando hoje a Porto Velho. Todos nós deixamos aquela cidade. Em Lábrea, estes monstros agrediram minha esposa durante o trabalho, ameaçaram meus filhos, disseram que iam acabar com minha família. Eu saí de lá e vim para Porto Velho porque minha esposa adoeceu e ficou muito mal por conta das ameaças. Dinhana só ia organizar tudo e vir para cá, o marido dela já estava aqui", disse.

O filho de Dinhana, que viu a mãe ser morta, já está em Porto Velho com os avós. "Ele tem vindo bastante à igreja. Como é muito novinho, ele não entende bem, mas aos poucos relata o que aconteceu na casa", relatou Ermelindo.

O pai da vítima protestou ainda contra a violência no local. "Vivemos regrados ali. O Brasil nem o mundo conhecem a nossa realidade. Não digo isso porque minha filha morreu, mas porque sei que mais pessoas vão morrer ali. São vidas que estão ali, não são bichos. Espero que essas mortes parem. O povo não vive, ele é obrigado a vegetar".

Agentes da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) estão no município para fazer a segurança da área, de acordo com a Pastoral. "É necessário mais segurança. Esta é uma região com alto índice de mortes por disputas agrárias", denunciou a coordenadora.

Francisneide Lourenço disse ainda que, por ser uma área de fronteira estadual, os moradores de Lábrea sofrem diversas dificuldades para registrar estes crimes. "Aquela é uma área entregue às baratas. No Sul de Lábrea não tem posto policial, então quando acontece algo, eles vão prestar queixa em Rondônia porque é mais perto, mas eles dizem que tem que ser no Amazonas e os moradores ficam totalmente desamparados. Quem manda na cidade são os pistoleiros contratados por grandes madeireiros da região", explicou.
Mapa assassinatos (Foto: Ediotria de Arte/G1)
Dados de balanço divulgado pela CPT em 2010 apontam que, apenas no município de Lábrea, oito pessoas são ameaçadas de morte. Em todo o Amazonas, o número chega a 32. Novos dados serão divulgados ainda este ano, de acordo com Francisneide, e informações preliminares apontam que o índice de vítimas de ameaças poderá duplicar.

Em nota enviada ao G1, o Incra afirmou que manifesta apoio aos assentados e trabalhadores rurais e repudia qualquer crime ligado às questões agrárias ocorridos na área da PDS, que abriga mais de 120 famílias.
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Fonte:
G1 - Extrativista do AM ameaçada de morte por conflitos agrários é executada - notícias em Amazonas. Disponível em: http://g1.globo.com/amazonas/noticia/2012/04/extrativista-do-am-ameacada-de-morte-por-conflitos-agrarios-e-executada.html

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mais um Sem Terra assassinado em PE | MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra



Do SÍTIO DO MST - 2 de abril de 2012


O trabalhador rural Sem Terra Pedro Bruno foi assassinado na manhã desta segunda-feira, (02) com vários tiros, próximo ao engenho Pereira Grande, no município de Gameleira, Zona da Mata Sul de Pernambuco.


Pedro Bruno era assentado no Assentamento Dona (Margarida Alves), e se dirigia a outro assentamento, Frescudim, ambos também no município de Gameleira, quando foi alvejado por vários tiros de arma de fogo. A polícia foi avisada pela família, mas até o momento ainda não tinha chegado no local.



O MST acredita que o assassinato de Pedro Bruno tenha sido uma retaliação à reocupação do engenho Pereira Grande, que ocorreu na madrugada de ontem (01/04).



O engenho Pereira grande pertence à Usina Estreliana, e é uma das áreas mais emblemáticas de conflitos de terra no estado de Pernambuco. A área foi declarada de interesse social para fins de reforma agrária em novembro de 2003, mas depois de uma série de recursos impetrados, a Usina consegue barrar o processo de desapropriação quando a Ministra Ellen Gracie, então Presidente do Supremo Tribunal Federal, que havia dado imissão de posse da área ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) uma semana antes, revê sua decisão e determina que a imissão de posse e o seguimento da ação de desapropriação só poderão se dar após o julgamento final do processo. O caso está, desde então, pendente na justiça.



Ainda recai sobre a Usina Estreliana vários crimes trabalhistas. Em janeiro de 2010, o proprietário da Usina, Gustavo Costa de Albuquerque Maranhão, que havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF), foi condenado, a quatro anos e meio de reclusão, por deixar de repassar ao INSS, durante 18 meses, as contribuições previdenciárias recolhidas no valor de mais de R$ 600 mil de seus empregados.



No último dia 08 de março, cerca de 200 mulheres do MST realizaram um ato na engenho Pereira Grande, exigindo a desapropriação da área e condenando as consequências econômicas e sociais do monocultivo de cana na região. Na ocasião elas foram cercadas por pistoleiros do engenho que disparara vários tiros contra as camponesas.



A impunidade incentiva a violência do latifúndio



No dia 23 de março de 2012, o trabalhador Rural Sem Terra Antônio Tiningo foi assassinado em uma emboscada quando se dirigia para o acampamento da fazenda Açucena, no município de Jataúba, agreste de Pernambuco. Tiningo era um dos coordenadores do MST na região.



No mesmo dia, pistoleiros atiraram contra famílias Sem Terra acampadas próximo à fazenda Serro Azul, no município de Altinho, também no agreste de Pernambuco. Duas mulheres e uma criança foram atingidas.
Em outubro do ano passado, o trabalhador rural Sem Terra José Amaro da Silva, desapareceu na zona da mata de Pernambuco quando saía do acampamento do MST no Engenho Brasileiro, município de Joaquim Nabuco, mais umas das áreas de conflito agrária do estado.



O MST e organizações de direitos humanos como a Terra de Direitos vem denunciando amplamente a violência no campo em Pernambuco: pistoleiros recebem R$ 50,00 por dia para atirarem contra trabalhadores rurais Sem Terra; fazendeiros andam armados e ameaçam agricultores até mesmo em suas próprias casas; a polícia atua como segurança privada de fazendas, intimidando e ameaçando famílias Sem Terra; delegados, juízes e promotores legitimam o uso de violência e de milícias armadas por parte de proprietários de terra; trabalhadores rurais desaparecem e são mortos em emboscadas.



Mas tanto o Governo Estadual, como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e demais órgãos responsáveis parecem continuar de braços cruzados.



Fonte: 
Mais um Sem Terra assassinado em PE | MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra Disponível em: http://www.mst.org.br/Mais-um-Sem-Terra-assassinado-em-Pernambuco.