domingo, 9 de agosto de 2015

FILME "CORUMBIARA - O MASSACRE DOS CAMPONESES"

9  DE AGOSTO DE 2015 – MASSACRE DE CORUMBIARA – 20 ANOS




O filme "Corumbiara - O Massacre dos Camponeses" retrata fielmente os acontecimentos na Fazenda Santa Elina. A PM de Rondônia armou um verdadeiro "teatro de operações" para fazer a guerra contra os sem terra que lutavam por um pedaço de terra para viver, criar e plantar. Aliou-se ao latifúndio para fazer cumprir uma "Ordem de Reintegração de Posse" a favor dos fazendeiros. E escolheu a noite para executar seu plano desumano, que não poupou sequer as mulheres, os velhos e as crianças!




Leia também:


MESQUITA, H. A. Corumbiara: o Massacre dos Camponeses. Rondônia, 1995. 2001. Tese (Doutorado em Geografia Humana) FFCLH/USP. São Paulo. Acesso em:  http://revista.fct.unesp.br/index.php/pegada/article/viewfile/887/905

Pesquisa aponta 23 mortes por conflito agrário até julho


No primeiro semestre deste ano, 23 pessoas morreram em conflitos no campo em todo o país. A maioria dos casos ocorreu no Pará e em Rondônia. Os dados são da Comissão Pastoral da Terra (CPT).

Segundo Rubem Siqueira, da Coordenação Nacional da CPT, os assassinatos foram motivados por disputa de terra.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

09 DE AGOSTO 20 ANOS DO MASSACRE DE CORUMBIARA




Parte do texto extraído da Tese de Doutorado de Helena Angélica de Mesquita intitulado de: Corumbiara: o Massacre dos Camponeses. Rondônia, 1995. 2001. Tese (Doutorado em Geografia Humana) FFCLH/USP. São Paulo.

 

O Conflito da Fazenda Santa Elina

 

No dia 14 de julho de 1995, centenas de famílias de trabalhadores rurais sem terra ocuparam uma pequena parte dos 20.000 hectares da Fazenda Santa Elina, no município de Corumbiara. Ao amanhecer do dia 15 de julho o acampamento era uma realidade. Nascia rapidamente um espaço de esperança. Como era uma área de mata, os camponeses construíram os barracos sob as árvores mais altas para proteger a pequena cidade de lona dos constantes voos de intimidação praticados por fazendeiros e policiais. O acampamento ficava separado do Assentamento Adriana por um riacho de águas límpidas. Neste assentamento os camponeses encontraram apoio e solidariedade, e lá pretendiam se refugiar em caso de cerco ao acampamento. Cuidados vãos, pois não tiveram a mínima chance; o cerco aconteceu de madrugada, quando todos estavam desmobilizados. A ocupação da Fazenda Santa Elina foi mais um dos 440 conflitos por terra que ocorreram no Brasil em 1995 e um dos 15 que aconteceram só em Rondônia naquele ano (dados da Comissão Pastoral da Terra).

No processo de reintegração de posse e no “despejo” dos posseiros, no dia 9 de agosto de 1995, os posseiros foram sistematicamente torturados. Sabe-se que o crime de tortura é inafiançável e imprescritível, no entanto tal crime não foi tema considerado no processo, assim como não o foi também no júri. Os policiais só foram a júri responsabilizados por três mortes, pois o juiz de Colorado do Oeste, na sentença de pronúncia, achou que não poderia imputar a ninguém a responsabilidade pelas mortes que ocorreram em “fogo cruzado”. Entretanto, este mesmo juiz mandou a júri os dois sem terra acusados da morte dos dois policiais que também morreram no fogo cruzado. Para fazer cumprir a liminar de manutenção de posse, a polícia teve o financiamento dos fazendeiros Antenor Duarte do Vale e Hélio Pereira de Morais, o último, proprietário da fazenda Santa Elina. Eles forneceram homens, veículos, alimentação, transporte de tropas e armas. Foi uma empreitada privada, feita de forma intempestiva, inconsequente e criminosa e que, no final, quem acabou sofrendo as piores consequências foram os próprios camponeses sendo, inclusive, condenados pelo júri.

 

A sociedade brasileira não encontrará a paz enquanto a violência continuar impune. Mas os camponeses não se calarão enquanto as elites continuarem intransigentes com relação à terra. Por isso mesmo, nem um ano depois, outra Corumbiara aconteceu no governo social democrata (na verdade neoliberal) de FHC: Eldorado dos Carajás.

 

Fonte: MESQUITA, H. A. Corumbiara: o Massacre dos Camponeses. Rondônia, 1995. 2001. Tese (Doutorado em Geografia Humana) FFCLH/USP. São Paulo. Acesso em: http://revista.fct.unesp.br/index.php/pegada/article/viewfile/887/905

  

Para saber mais sobre o caso leia:
















 


quinta-feira, 2 de julho de 2015

EM BOCA FECHADA NÃO ENTRA BALA


Silêncio, chá de sumiço, amnésia seletiva e ameaças veladas no caminho de ‘Corumbiara, caso enterrado’, livro sobre um dos piores conflitos agrários pós-ditadura


por João Peres | 29 de junho de 2015



Massacre de Comrumbiara (RO), em 1995. Despejo violento deixa 9 sem-terra mortos.




Queimadas à beira da BR 364 em agosto de 2013, durante a apuração do livro-reportagem



Todos lançam olhares inquisidores sobre o carro. As cabeças descrevem o movimento exato do automóvel ao passar pelas ruas, ansiosas por saber quem são os
forasteiros. Um repórter barbudo, um fotógrafo argentino, um padre irlandês de rosto vermelho e um missionário inglês enorme formariam um grupo exótico em quase todos os lugares do mundo. Em Vista Alegre do Abunã, um distrito minúsculo de Porto Velho, em Rondônia, são uma aberração.
A tensão que acompanha jornalistas em apurações sobre questões agrárias na Amazônia é grande. No geral, vai-se a locais com baixa presença institucional do Estado e com uma cultura de violência e ajustiçamento. O Brasil é um dos países com piores índices de assassinato de profissionais de imprensa, segundo ranking elaborado anualmente pela organização Repórteres Sem Fronteiras. Ter escolhido um caso ocorrido numa frente nova de desmatamento para começar a apuração que resultaria no livro Corumbiara, caso enterrado (Editora Elefante, 2015) não foi uma decisão prudente.
 
 
Na realidade, qualquer um que chegasse de fora chamaria atenção. Qualquer um que viesse querendo saber desse assunto. Faz quase dois anos que tudo ocorreu. A cerca por onde escorreu o sangue de Adelino Ramos é a única testemunha dos fatos. Ninguém quer abrir a boca. Ao longo do dia, jogam-nos de um lado para o outro, sem fornecer informações sobre quem pode ter encomendado a morte de Dinho. Líder do Projeto de Assentamento Florestal (PAF) Curuquetê, a poucos e pedregosos quilômetros daqui, no sul do Amazonas, ele foi assassinado num domingo do final de maio de 2011.
Cerca de um mês antes, havíamos conversado por telefone, num intervalo de poucos minutos em que havia sinal de celular. “A gente defendeu um projeto inovador no país, que é o assentamento florestal comunitário, e é esse em que a gente está. Então, onde há matança de gente, onde há roubo de barreiras, no estado do Amazonas… tudo que sai do Amazonas sai para Rondônia”, contou. Adelino já estava encrencado.
Agora, em fevereiro de 2013, sob o calor abrasador do noroeste rondoniense, espreitávamos sabendo que éramos espreitados. Vista Alegre é um dos muitos distritos de Porto Velho, uma das maiores capitais do país. Como vários dos povoados de Rondônia, tem um só caminho para entrar, sair ou fugir, especialmente se não se está a bordo de uma picape. Dali a dez quilômetros, em linha reta para o Norte, está o Amazonas, e dali a quinze, para o Sul, fica a divisa com a Bolívia. Entre um lado e outro, madeira nobre sendo transportada à luz do dia, em cinco mil viagens de enormes caminhões em direção ao Sudeste, segundo contabilidade apreendida em poder dos “donos” da área.
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigavam havia quase três anos um esquema de loteamento ilegal de terras da União convertidas em área de desmatamento. “É terra sobre terra. Ninguém é dono. Com a instalação do assentamento Curuquetê, isso começou a criar um impasse entre o pessoal que já estava lá. Como ninguém tem título, o assentamento era um risco para eles”, contou um agente federal envolvido na investigação. “A gente percebia que aquela situação estava insustentável e poderia desaguar em alguma outra coisa. Não achava que podia desaguar em crimes contra a vida.” Só depois da morte de Adelino a Justiça Federal autorizou que se realizasse uma operação contra o corte ilegal da floresta.
Logo após o crime, a Polícia Civil anunciou a prisão de Osias Vicente, envolvido com madeireiros locais, acusado de matar Adelino. Mas, até o fim do ano, o Ministério Público Estadual não havia oferecido denúncia. Uma história sem um pingo de originalidade: o Judiciário libertou o suposto matador, que um mês depois acabou assassinado, o que levou ao arquivamento do caso sem que se chegasse aos mandantes do crime contra o líder sem-terra.
Sem colher bons resultados em Vista Alegre, fomos até Extrema, outro distrito de Porto Velho, onde Adelino foi atendido após os disparos. “No caminho para Extrema, um carro ficou fechando eles, não deixou correr. Até hoje ninguém soube me dizer que carro que era. Nem a placa”, contou mais tarde um amigo da família que também não conseguiu arrancar informação alguma sobre a morte. A ficha de atendimento é lacônica: óbito provocado por perda de sangue. No posto policial, o boletim de ocorrência sobre Adelino é o maior da unidade: uma pilha de meio metro de papel depositada entre duas cadeiras. Um dos escrivães – são dois no total, respondendo por quatro distritos – não dá esperança de que a investigação avance. São muitos casos para cuidar e a estrutura é extremamente precária.
No começo, não sabíamos se dormiríamos em Vista Alegre. Depois do clima tenso com que nos deparamos, não resta dúvida de que o mais seguro é retornar ao centro de Porto Velho, para decepção do padre irlandês Bernard Leo Dolan, amigo da família de Adelino que esperava retornar com algo mais. É, de fato, um começo de viagem ruim.
Entre 2013 e 2014, quase sempre na companhia do fotógrafo Gerardo Lazzari, percorro Rondônia para tentar entender as histórias que envolvem o chamado “massacre de Corumbiara”, ocorrido em 9 de agosto de 1995 durante uma operação de reintegração de posse na fazenda Santa Elina, no sul do estado. Segundo os números oficiais, 12 pessoas morreram – nove sem-terra, dois policiais e um rapaz não identificado, possivelmente um pistoleiro. Resumindo de maneira simplória, a acusação levou ao julgamento de dois posseiros e de 12 agentes de segurança. Do lado dos ocupantes, saíram condenados Cícero Pereira Leite Neto, seis anos e dois meses de reclusão, e Claudemir Gilberto Ramos, oito anos e meio. Entre os PMs, foram sentenciados os soldados Airton Ramos de Morais, a 18 anos, e Daniel da Silva Furtado, a 16 anos, e o então capitão Vitório Régis Mena Mendes, a 19 anos e meio.
A história de Adelino, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Corumbiara na época, é uma entre várias relacionadas ao caso. Fundador do Movimento Camponês Corumbiara (MCC), de 1995 a 2011 conseguiu assentar muitas famílias, brigou com amigos e inimigos, zanzou Rondônia de sul a norte, escapou da acusação pelas mortes ocorridas na Santa Elina. Em Lábrea, no Amazonas, esperava tocar mais um assentamento. Num lugar improvável. “Não tem condição nenhuma de manter qualquer atividade produtiva. Não tem terra, não tem água, não tem luz. Tem todo tipo de problema de malária, febre amarela, bicho peçonhento”, contou um agente federal.
Nos dias seguintes àquela busca pouco frutífera por informações em Vista Alegre, os gringos ficaram em Porto Velho, enquanto Gerardo e eu fomos a Theobroma, no centro do estado, onde acabaram assentadas entre 1995 e 1996 algumas das famílias do episódio da Santa Elina. O começo da conversa era quase sempre igual: recebiam-nos com desconfiança, cara amarrada, incomodados com o assunto. Parecia que daquele mato não sairia coelho. Até que a pessoa, geralmente homem, começava a se soltar – e a soltar informações. Nossa cabeça de paulista planejava fazer várias entrevistas ao dia, ignorando que na roça o tempo é outro, que é preciso esperar o caboclo escolher o momento certo de falar, criar laços de confiança.
A última parada prometia ser a mais tensa. Havia um misto de curiosidade e receio por chegar ao palco dos acontecimentos. Depois de conhecer Vista Alegre, vislumbrávamos algo parecido em Corumbiara. Não foi o que ocorreu. Ainda que muitos tenham se dado conta de nossa presença, e até mesmo dos motivos dela, os fatos de 1995 eram passado para a maior parte das pessoas.
Nas outras vezes, já sabendo andar sozinhos pela região, vimos situações mais perigosas, mas não para nós. Na época do conflito, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) não chegou a desapropriar a Santa Elina, operação que retomou 12 anos mais tarde, abrindo uma disputa pelas terras férteis e simbólicas. A Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia, ex-aliada de Adelino, e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Corumbiara acabaram obrigados a dividir o assentamento. Basicamente, adversários revolucionários e reformistas foram colocados dentro de um mesmo espaço. “O povo que não sofreu o massacre com a gente fica implicando. Tem hora que eu fico revoltado. Ficam pisando na gente. Eu pensava que a gente era tudo amigo”, contou um homem, sob ameaças de morte por desentendimentos mesquinhos.
Sempre deixávamos Rondônia com a sensação de que seria importante voltar. Os relatos dos sem-terra eram interessantes, mas repetitivos e insuficientes. Era necessário entrevistar advogados, promotores, juiz, políticos, integrantes de movimentos sociais.
Poucas passagens foram tão desgastantes quanto a conversa com o ex-secretário-executivo de Valdir Raupp, governador na época do episódio da Santa Elina. Telefonei para Édio Antônio de Carvalho no começo de 2014. Ele avisou que só conversaria pessoalmente. Liguei de novo avisando que embarcaria nos próximos dias para Porto Velho. “O Édio que você está procurando é outro”, respondeu.
Era um sábado de manhã quando peguei o carro e fui ao condomínio onde morava, nas imediações do centro de Porto Velho. Por sorte, o esquema de segurança era frouxo e o rapaz da portaria não anunciou minha chegada. Quando entrei em sua casa, fez uma cara de surpresa indescritível. “Cansou de tomar ‘não’ pelo telefone? Veio tomar ‘não’ pessoalmente?”, perguntou, muito irritado.
Com o passar dos minutos, acalmou-se e começou a narrar sua versão. Uma versão diferente da que está registrada em relatório da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Em 1995, Édio contou a deputados que não se chegou a um desfecho pacífico porque o fazendeiro Antenor Duarte do Valle, vizinho da área ocupada, rejeitou acordo para assentar as famílias. Agora, ele culpava os sem-terra, a quem acusou de intransigência no diálogo, e dizia sofrer de amnésia em relação a pontos incômodos. O ex-secretário-executivo disse ter recebido ordem para prestar todo apoio às famílias, desde que aceitassem deixar a fazenda.
No meio da prosa, criticou o governo do PT, tido como comunista, e afirmou que, no que dependesse de Lula, Evo Morales teria invadido o Brasil. Queixou-se de não conseguir mais contratar empregada devido ao Bolsa Família. Enquanto conversávamos, sua mulher perguntou em que veículo jornalístico eu trabalhava porque queria ler minhas reportagens para saber se eu era de esquerda. Deixou ameaças no ar. Decidi sair dali o quanto antes. Meti-me no centro de Porto Velho e fiquei rodando um tempo, até ter certeza de que não haveria problema.
Em outras oportunidades, momentos de alta tensão se revelaram calmos. Ou viraram frustração. Por duas vezes, tentei conversar com os policiais militares de Vilhena, divisa com o Mato Grosso, sede do batalhão em que atuava a maior parte dos envolvidos no caso da Santa Elina. Na primeira, um PM esperou que eu chegasse à cidade para dizer que havia se arrependido e não queria mais conversar. Outro viajou sem avisar e pediu que aguardasse por uma semana ou dez dias, até a volta.
Na segunda vez, depois de uma entrevista animadora, parecia que andava por bom caminho. A promessa era de que três policiais dariam uma entrevista às 7 horas.
– Oi. O pessoal não apareceu ainda?, perguntou o PM que havia garantido a conversa.
Passei o dia inteiro sentado, à espera de que viessem, sempre com promessas renovadas de que estavam a caminho. Na manhã seguinte, fui ao batalhão. Receberam-me com conversas sobre amenidades, contaram sobre o bem-sucedido esquema de patrulhamento de ruas de Vilhena e me despacharam sem contar nada sobre o que queria ouvir. Durante mais dois dias, busquei por todos os meios conversar com os policiais. Nunca tomei tanto perdido na vida. Saí de lá puto, sabendo que aquela apuração estava encerrada.
Era o fim irritante de um trajeto que começara de maneira tensa. No começo de 2011, entrevistei Claudemir Gilberto Ramos, sem-terra condenado a oito anos e meio de prisão pelas mortes de dois policiais vitimados no caso da Santa Elina. Filho de Adelino, ele se recusava a cumprir a pena, que considerava injusta. Aquela narrativa, tão cheia de lacunas, foi o que me motivou a entender melhor a história, contada no primeiro capítulo do livro, compartilhado agora com os leitores.
·         Originalmente publicado na Agência Pública. Baixe o primeiro Capítulo do livro. 
 
             Ø  Também poderá ler em:
 
 
 




domingo, 21 de junho de 2015

FILME COLABORATIVO "UM GOLPE, 50 OLHARES"


Filme colaborativo mostra heranças deixadas pela ditadura.

26/05/2015 - 13h28 Ana Lúcia Caldas.


O filme colaborativo "Um Golpe, 50 Olhares" foi produzido pela ONG Criar Brasil e promovido pelo Ministério da Justiça, dentro do projeto Marcas da Memória, da Comissão de Anistia do Governo Federal.
A ideia é mostrar como as pessoas que viveram naquela época, ou que ainda nem eram nascidas, entendem a ditadura militar. Quais foram as heranças e lembranças deixadas.

Amarilis Busch, diretora da Comissão de Anistia do governo federal fala do filme:
Sonora: "O objetivo era criar um filme que pudesse trazer diferentes perspectivas desse momento da história. Essa chamada pública, que selecionou, foi lançada em 2013 e o filme começou a ser realizado em 2014 sendo finalizado este ano. Qual era a ideia do filme? Era Construir esses relatos a partir de vídeos de produtores independentes no âmbito dos 50 anos do golpe militar no ano passado. Esse ano já tem 51 anos".

Foram 96 vídeos inscritos, de um minuto cada, vindos de todas as partes do país.
Sonora: "São vídeos de animação, ficção, documentário, formato experimental é uma mistura interessante com várias temáticas, várias perspectivas. A gente tentou contemplar a questão da representatividade das regiões. Então é um filme bastante dinâmico muito dinâmico, os filmes tem um minuto cada e são 50 vídeos exatamente".

Foram escolhidos 40 filmes para finalizar o material. Os outros 10 foram produzidos pelo próprio Criar Brasil. "




Um Golpe, 50 Olhares” está disponível na internet http://www.radiotube.org.br/video-23AHJfqL1ss   e vai ser exibido em TVs universitárias e comunitárias de todo o país.

Disponível também no YouTube no Canal Criar Brasil em: https://www.youtube.com/watch?v=XLg_3HUH2ys

O projeto é fomentado pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, através do Projeto Marcas da Memória, e organizado pela ONG CRIAR BRASIL – Centro de Imprensa, Assessoria e Rádio.


TVs interessadas em receber o material em HD devem entrar em contato pelo email: 50olhares@criarbrasil.org.br

segunda-feira, 15 de junho de 2015

RESOLUÇÃO DO 3º ENCONTRO DE BLOGUEIROS E ATIVISTAS DIGITAIS DO PARANÁ #3ºPARANÁBLOGS

Os participantes do 3º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais do Paraná #3ParanáBlogs, realizado nos dias 12 e 13 de junho de 2015, na sede da APP-Sindicato, av. Iguaçu, 800, Curitiba-PR, entendem que o acesso à informação e aos meios de comunicação são direitos fundamentais para o exercício da cidadania, sendo condições essenciais para a realização plena da democracia.

Assim, afirmam a defesa da liberdade de expressão e da democratização dos meios de comunicação como princípios essenciais, a serem garantidas por meio de políticas públicas efetivas. É essencial a garantia da neutralidade da rede do Marco Civil da Internet; a classificação indicativa de programas de TV e rádio; o fomento público à comunicação popular e alternativa; e o encaminhamento pelo Ministério das Comunicações de um projeto de lei ao Congresso Nacional que garanta, entre outros princípios: o fim dos oligopólios no setor de comunicação; pluralidade e definição de critérios sociais para as concessões públicas de rádio e TV; fim da propriedade cruzada dos meios de comunicação; proibição à divulgação de conteúdos de cunho racista, homofóbico, ou que estimulem, de qualquer forma, a violência, a segregação, a discriminação de classe e de gênero, a intolerância religiosa, cultural e política, o abuso infantil e a falta de ética na divulgação de propagandas comerciais; e o fim de propagandas comerciais dirigidas para crianças. A ParanáBlogs deve convidar organizações populares, entidades sindicais, rádios e TVs comunitárias e universitárias a articular ações com a finalidade de desenvolver os meios de comunicação popular, com produção própria de conteúdo e pauta, como necessário contraponto à hegemonia exercida pelas redes comerciais. Que o governo federal implemente uma política nacional de comunicação pública que amplie os veículos públicos de comunicação e aprofunde o caráter popular, democrático, participativo, informativo, cultural e educativo desses veículos.

Entendem, ainda, que é inadmissível que um governo atue contra o livre exercício dos direitos políticos, individuais e sociais, e que se sirva das autoridades sob sua subordinação para praticar abuso do poder, ou tolerar que essas autoridades o pratiquem sem qualquer repressão sua. O governo não pode se utilizar de meios violentos para subverter a ordem social, e nem pode provocar animosidade entre classes armadas e instituições civis. Por isso ficou tipificado como crime de responsabilidade (Lei 1.079/50) a atuação do governador Beto Richa (PSDB) no Massacre do Centro Cívico de Curitiba de 29 de abril de 2015. Assim, entendem que o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, Ademar Traiano (PSDB), não pode arquivar o pedido de Impeachment que juristas realizaram com apoio de 10 mil assinaturas, e deve encaminhar para votação do plenário do Parlamento, para que seja aberto um processo de Impeachment contra o governador do Paraná.

Tendo em vista os inúmeros processos judiciais movidos contra blogueiros e ativistas digitais em todo o Brasil, com condenações e aplicação de multas e indenizações abusivas, que na prática resultam em censura à livre divulgação de ideias na Internet, e ofensas inverídicas contra blogueiros e ativistas digitais, o 3º ParanáBlogs expressa sua solidariedade aos comunicadores atingidos, com o indicativo de que a Associação ParanáBlogs deverá realizar a defesa desses blogueiros e ativistas digitais. É essencial aprovação pelo Congresso Nacional do Projeto de Lei 4.653/2012 que anistia blogueiros e ativistas digitais, em função de multas eleitorais aplicadas nas recentes eleições. A ParanáBlogs deve auxiliar na realização de campanhas de arrecadação financeira para blogueiros e ativistas digitais que receberam multas desarrazoadas da Justiça, enquanto não forem anistiadas pelo Congresso.

O #4ParanáBlogs será realizado em 2017, em data e cidade a ser decidida pela Associação dos Blogueiros e Ativistas Digitais do Paraná - ParanáBlogs, após amplo debate com a blogosfera paranaense, com atividades diversas como oficinas e seminários, nas várias regiões do Estado, até a realização do evento.

Curitiba, 13 de junho de 2015.

domingo, 7 de junho de 2015

3º Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais do Paraná #3ºPrBlogs.


“Democracia, Comunicação e Juventude:
a luta contra a repressão no Paraná” 
A ParanáBlogs é uma Associação que congrega os blogueiros, blogueiras e ativistas digitais do Estado do Paraná, e realiza o seu terceiro encontro estadual, sendo que em 2013 o #2ParanáBlogs foi o maior encontro estadual de blogueir@s do Brasil. O intuito é debater a democratização das comunicações, o Massacre do Centro Cívico de Curitiba, a defesa jurídica dos ativistas digitais e a ofensiva reacionária e neoliberal no Paraná e no Brasil.
Você discute temas de interesse público nas redes sociais, como política (politics e policies), cultura, comunicação, etc.? Então você é um ativista digital. Participe do #3ParanáBlogs e ajude a divulgar o evento!

Local:- Auditório da Sede Estadual da APP-Sindicato, Av. Iguaçu, 880, Piso Térreo - Bairro Rebouças - Curitiba - Paraná - Brasil 

DIVULGAÇÃO E TRANSMISSÃO:
O evento será transmitido on-line pela TV 15.
Site do evento: paranablogs.com.br
Curta o Facebook e o Twitter do #3ParanáBlogs.
PROGRAMAÇÃO:
12 de junho de 2015 (sexta-feira)
17h Início da entrega de credenciais
18h Abertura do #3ParanáBlogs
Autoridades e dirigentes de movimentos sociais e entidades amigas da blogoosfera paranaense
Presidência da abertura:
Tarso Cabral Violin (Presidente da Associação ParanáBlogs, Blog do Tarso)
19h - 1ª Mesa: A ofensiva conservadora e o Massacre do Paraná
Presidência da Mesa: Tania Mandarino (Diretora Jurídica da Associação ParanáBlogs, Blog O Charuto)
A ofensiva conservadora no Brasil
Roberto Requião (Senador da República pelo PMDB, ex-governador do Paraná)
O Massacre de Curitiba
Tadeu Veneri (Deputado Estadual pelo PT-PR)
A ofensiva conservadora internacional
Ualid Rabah (diretor de Relações Institucionais da FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil)
13 de junho de 2015 (sábado)
9h30 - 2ª Mesa: Democratização dos Meios de Comunicação
Presidência da Mesa: membro feminina da Frentex-PR
Renata Mielli (Jornalista, Secretária-Geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação - FNDC e Diretora do Barão de Itararé)
Palmério Dória (jornalista e escritor, autor do livro O Príncipe da Privataria)
Beto Almeida (jornalista, diretor da Telesur, presidente da TV Cidade Livre, Brasil de Fato e TV Senado)
11h30 - Oficina Especial da ARTIGO 19: “Fui processado. O que eu faço?”
Presidência de Mesa: Luiz Skora (Blog Polaco Doido)
Função de discutir e orientar os blogueiros, ativistas digitais e usuários da internet sobre os processos judiciais os quais estão sujeitos no ambiente virtual. O objetivo é apresentar quais as principais motivações para abertura de processos judiciais contra os blogueiros, apresentar casos emblemáticos, entender como funciona um processo judicial e de que maneira o blogueiro pode evitar sofrer este tipo de retaliação, assim como de que maneira proceder caso venha a ser processado (quais argumentos jurídicos podem ser usados, entender o Marco Civil da Internet, etc). A oficina tem como base o guia “Fui processado. O que eu faço?” e uma cópia do guia será entregue aos participantes da oficina.
Camila Marques (advogada formada pela PUC-SP, coordena o Centro de Referência Legal em Liberdade de Expressão e Acesso à Informação da ARTIGO 19)
Karina Quintanilha (advogada formada pela PUC-SP, do Centro de Referência Legal em Liberdade de Expressão e Acesso à Informação da ARTIGO 19)

13h - Intervalo para almoço

14h - 3ª Mesa: Comunicação e o Massacre do Centro Cívico
Presidência de Mesa: Meg (Presidenta da Associação ParanáBlogs, Blog da Meg)
Márcio Henrique dos Santos (professor e comunicador ferido no Massacre do Centro Cívico de Curitiba)
Walkíria Olegário Mazeto (Secretária Educacional da APP e membro do Comitê 29 de Abril)
Membro da CUT-PR
Serão homenageadas algumas vítimas do Massacre de Curitiba:
Angela Alves Machado (professora de história, foto do ano), Rafaelin Poli (professora que quebrou o dedo), Ícaro Grassi (estudante, feriu o rosto), Taciane Grassi (estudante, perdeu a audição), Luiz Carlos de Jesus (cinegrafista atacado por um Pitbull da PM), Elaine Antunes (vídeo emocionante), Cláudio Franco (agente penitenciário ferido no rosto), Affonso Cardoso (ferido), Eyrimar Fabiano (professor ferido) e os doze manifestantes presos.
16h00 - 4ª Mesa: Novas estratégias de comunicação e a periferia no Brasil
Presidência de Mesa: Manoel J. de Souza Neto - Museu do Som Independente
GOG (o poeta do rap nacional)
Preto Zezé das Quadras (Presidente da Central Única das Favelas - CUFA Brasil)
Debatedor: Vato (rapper e ativista digital)
18h - Aprovação da Carta do 3º ParanáBlogs
19h - Palestra lítero-musical
GOG (o poeta do rap nacional)
Clica 4.1.3 (rap)
  
21h - Festa de Encerramento
Com todos os participantes do evento na calçada da fama
*Algum palestrante pode sofrer contratempo, cancelar a participação, e ser substituído pela ParanáBlogs.
INSCRIÇÕES (clique aqui): - ATENÇÃO: APÓS O ENVIO DO FORMULÁRIO PREENCHIDO, PEÇA CONFIRMAÇÃO NO E-MAIL paranablogs@blogoosfero.cc 

Pagamento no dia do evento, na entrega das credenciais.

HOSPEDAGEM:
O Hotel oficial do #3ParanáBlogs é o Hotel Del Rey, que fica na melhor localização de Curitiba, na esquina da menor avenida do mundo, a Luiz Xavier com a rua das Flores, na famosa “Boca Maldita”. Com hospedagem em condições especiais para os participantes do evento de fora de Curitiba, entre os dias 12 e 14 de junho.
Cortesia de água e refrigerante do frigobar.

Café da manhã incluído das 6h30min às 10h, ar condicionado, TV a cabo, frigobar, telefone, secador de cabelos, cofre e banheiro privativo. Horário: Check in 14h, Check out 12h.

O Convention & Vistitour Bureau em parceria com o Hotel Del Rey, oferece gratuitamente um serviço de van Leva e trás, para Santa Felicidade, shoppings, casa de shows, teatro, bairro Batel no horário das 19:30 as 23:00. As Reservas deverão serem solicitadas na recepção do hotel até as 18:00 hrs.

Política de Gratuidade: cortesia de diária de uma criança de até 6 anos no mesmo apartamento que dois adultos pagantes.

Você chegando em Curitiba pelo Aeroporto ou Rodoviária, poderá utilizar os serviços e transporte de um Micro-ônibus executivo parando em frente a Biblioteca Pública. O Hotel Del Rey fica à uma quadra. – R$ 12,00 por pessoa. www.aeroportoexecutivo.com.br. Para ir ao evento basta pegar o mesmo ônibus e parar no Shopping Estação (três quadras da APP).

Reservas & informações na recepção do hotel. Rua Ermelino de Leão,18 - Centro, Curitiba/PR, CEP 80410-230, Tel. (041) 2106-0099 e FAX. (041) 2106-2300. www.hoteldelrey.com.br
Mais informações do evento pelo e-mail: paranablogs@blogoosfero.cc






sábado, 2 de maio de 2015

MP-PR ENTREVISTA COLETIVA SOBRE INVESTIGAÇÕES DOS EXCESSOS OCORRIDOS EM 29 ABRIL

MP-PR realiza entrevista coletiva sobre as investigações destinadas a apurar excessos em 29 de abril de 2015 durante a manifestações ocorridas nos arredores da  ALEP (Assembleia Legislativa do Estado do Paraná).

   


Realizada, em 30 de abril/2015 - quinta-feira, na sede do MP-PR, em Curitiba, entrevista coletiva sobre as investigações instauradas pelo Ministério Público do Paraná, para apurar excessos na repressão da manifestação pública ocorrida na última quarta-feira (29), nos arredores da ALEP. 
A entrevista foi concedida no auditório da sede da Instituição, em Curitiba, com transmissão ao vivo, via webcast.



Na mesma ocasião, o MP-PR informou estar colhendo informações, documentos, laudos e depoimentos de testemunhas, além de divulgar e-mail institucional destinado a receber imagens e vídeos enviados pela população e que poderão auxiliar nas investigações. 

A instauração do procedimento investigativo foi determinada ainda na quarta-feira (29) pelo procurador-geral de Justiça, Gilberto Giacoia. O MP-PR já havia expedido Recomendação ao governo do Estado, à Secretaria de Segurança Pública e ao Comando-Geral da Polícia Militar no sentido de que a intervenção policial se limitasse a garantir a segurança dos manifestantes, excetuada a contenção de eventuais infrações penais.


Abaixo anexo com íntegra da Recomendação expedida pelo MP-PR.


Veja a entrevista na Integra: