quinta-feira, 5 de abril de 2012

LANÇAMENTO DO FÓRUM PARANAENSE DE RESGATE DA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA EM 12 DE ABRIL




Com o apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, ficou decidido que em 12 de abril de 2012 às 19h30, no Teatro da Reitoria da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, ocorrerá o ato de lançamento do Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça. Este  movimento tem como objetivo respaldar os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, promovendo a mobilização da sociedade e ajudando na investigação dos crimes contra os direitos humanos ocorridos no Paraná, durante o período da Ditadura.


O Fórum terá a finalidade de respaldar e acompanhar os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade, que terá um prazo de dois anos para apresentar um relatório sobre as violações de direitos humanos ocorridas no país durante o período da ditadura e será composta por sete membros, nomeados pela Presidência da República.


A primeira reunião para definir o lançamento do ato ocorreu em 17 de janeiro de 2012, na sede da CUT/PR, dando início ao movimento, cuja criação nacional foi sancionada em novembro passado pela presidente Dilma Rousseff. Nesta primeira reunião estiveram presentes representantes da CUT/PR, APP-Sindicato, UFPR, UPE, UPES, UJS, Juventude do PT, CEBRAPAZ-PR, INFCAR, além do PCdoB, PT e do deputado federal João Arruda do PMDB-PR.


Além das entidades ligadas à luta pelos direitos humanos, citadas acima, estarão presentes no ato do dia 12, a Universidade Federal do Paraná, a Secretaria de Estado da Justiça, o Ministério Público do Paraná, OAB-Paraná, sindicatos, MST, partidos políticos, e movimentos estudantis.



quarta-feira, 4 de abril de 2012

Extrativista do AM ameaçada de morte por conflitos agrários é executada - notícias em Amazonas

De G1 - AMAZONAS  Atualizado em 04/04/2012 22h51

Mulher foi morta em frente ao filho de cinco anos, afirmou Pastoral da Terra. Cerca de 32 pessoas estão em lista de pessoas ameaçadas no Amazonas.

Marina Souza

Do G1 AM

Agricultora foi morta na frente do filho de cinco anos (Foto: Arquivo Pessoal)Agricultora foi morta na frente do filho de cinco anos
(Foto: Arquivo Pessoal)













A polícia   investiga a morte da trabalhadora rural amazonense Dinhana Nink, de 28 anos, assassinada na madrugada de sábado (31) em Nova Califórnia, Rondônia. O filho da vítima, de cinco anos, testemunhou o crime. Ela era natural de Lábrea, município a 610 km de Manaus, e estava na lista elaborada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) de pessoas ameaçadas de morte na Amazônia por conflitos agrários.

A CPT informou ao G1 que a vítima disse, dias antes de ser assassinada, que estava sendo seguida por dois homens em motocicletas. Segundo a Comissão, a dupla acompanhava diariamente o trajeto da agricultora do trabalho à casa. Na madrugada de sábado (31), os pistoleiros invadiram a casa da trabalhadora rural quando ela se preparava para dormir e a mataram, na frente do filho de cinco anos, com um tiro de espingarda no peito.

De acordo com a coordenadora da CPT do Amazonas, Francisneide Lourenço, em novembro de 2011, a extrativista foi agredida fisicamente e perdeu a casa, localizada no Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Gedeão, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em um incêndio criminoso.

Ainda segundo a CPT, Dinhana era ameaçada de morte por grileiros da região do Sul de Lábrea. As ameaças começaram após a agricultora denunciar à polícia a agressão física cometida pelo filho de uma mulher suspeita de extração ilegal de madeira e grilagem no município. "Esta mulher passou a dizer que ia mandar matá-la. Tacaram fogo na casa dela e contrataram pistoleiros para tirar a vida da agricultora", ressaltou Francisneide.
O Brasil nem o mundo conhecem a nossa realidade. Não digo isso porque minha filha morreu, mas porque sei que mais pessoas vão morrer ali"
Ermelindo Nink, pai da vítima
A Comissão da Pastoral informou ainda que mais duas pessoas estariam na lista de pessoas ameaçadas por este grupo de grileiros. "Segundo informações, os pistoleiros foram contratados para matar três pessoas. Uma já foi, mas não sabemos quem são os outros dois", disse a coordenadora da CPT no Amazonas.

Em entrevista ao G1, o pai de Dinhana, Ermelindo Nink, de 50 anos, contou que a filha deixaria a cidade devido às ameaças. "Ela deveria estar chegando hoje a Porto Velho. Todos nós deixamos aquela cidade. Em Lábrea, estes monstros agrediram minha esposa durante o trabalho, ameaçaram meus filhos, disseram que iam acabar com minha família. Eu saí de lá e vim para Porto Velho porque minha esposa adoeceu e ficou muito mal por conta das ameaças. Dinhana só ia organizar tudo e vir para cá, o marido dela já estava aqui", disse.

O filho de Dinhana, que viu a mãe ser morta, já está em Porto Velho com os avós. "Ele tem vindo bastante à igreja. Como é muito novinho, ele não entende bem, mas aos poucos relata o que aconteceu na casa", relatou Ermelindo.

O pai da vítima protestou ainda contra a violência no local. "Vivemos regrados ali. O Brasil nem o mundo conhecem a nossa realidade. Não digo isso porque minha filha morreu, mas porque sei que mais pessoas vão morrer ali. São vidas que estão ali, não são bichos. Espero que essas mortes parem. O povo não vive, ele é obrigado a vegetar".

Agentes da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) estão no município para fazer a segurança da área, de acordo com a Pastoral. "É necessário mais segurança. Esta é uma região com alto índice de mortes por disputas agrárias", denunciou a coordenadora.

Francisneide Lourenço disse ainda que, por ser uma área de fronteira estadual, os moradores de Lábrea sofrem diversas dificuldades para registrar estes crimes. "Aquela é uma área entregue às baratas. No Sul de Lábrea não tem posto policial, então quando acontece algo, eles vão prestar queixa em Rondônia porque é mais perto, mas eles dizem que tem que ser no Amazonas e os moradores ficam totalmente desamparados. Quem manda na cidade são os pistoleiros contratados por grandes madeireiros da região", explicou.
Mapa assassinatos (Foto: Ediotria de Arte/G1)
Dados de balanço divulgado pela CPT em 2010 apontam que, apenas no município de Lábrea, oito pessoas são ameaçadas de morte. Em todo o Amazonas, o número chega a 32. Novos dados serão divulgados ainda este ano, de acordo com Francisneide, e informações preliminares apontam que o índice de vítimas de ameaças poderá duplicar.

Em nota enviada ao G1, o Incra afirmou que manifesta apoio aos assentados e trabalhadores rurais e repudia qualquer crime ligado às questões agrárias ocorridos na área da PDS, que abriga mais de 120 famílias.
Leia Também:



Fonte:
G1 - Extrativista do AM ameaçada de morte por conflitos agrários é executada - notícias em Amazonas. Disponível em: http://g1.globo.com/amazonas/noticia/2012/04/extrativista-do-am-ameacada-de-morte-por-conflitos-agrarios-e-executada.html

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Mais um Sem Terra assassinado em PE | MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra



Do SÍTIO DO MST2 de abril de 2012


O trabalhador rural Sem Terra Pedro Bruno foi assassinado na manhã desta segunda-feira, (02) com vários tiros, próximo ao engenho Pereira Grande, no município de Gameleira, Zona da Mata Sul de Pernambuco.


Pedro Bruno era assentado no Assentamento Dona (Margarida Alves), e se dirigia a outro assentamento, Frescudim, ambos também no município de Gameleira, quando foi alvejado por vários tiros de arma de fogo. A polícia foi avisada pela família, mas até o momento ainda não tinha chegado no local.



O MST acredita que o assassinato de Pedro Bruno tenha sido uma retaliação à reocupação do engenho Pereira Grande, que ocorreu na madrugada de ontem (01/04).



O engenho Pereira grande pertence à Usina Estreliana, e é uma das áreas mais emblemáticas de conflitos de terra no estado de Pernambuco. A área foi declarada de interesse social para fins de reforma agrária em novembro de 2003, mas depois de uma série de recursos impetrados, a Usina consegue barrar o processo de desapropriação quando a Ministra Ellen Gracie, então Presidente do Supremo Tribunal Federal, que havia dado imissão de posse da área ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) uma semana antes, revê sua decisão e determina que a imissão de posse e o seguimento da ação de desapropriação só poderão se dar após o julgamento final do processo. O caso está, desde então, pendente na justiça.



Ainda recai sobre a Usina Estreliana vários crimes trabalhistas. Em janeiro de 2010, o proprietário da Usina, Gustavo Costa de Albuquerque Maranhão, que havia sido denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF), foi condenado, a quatro anos e meio de reclusão, por deixar de repassar ao INSS, durante 18 meses, as contribuições previdenciárias recolhidas no valor de mais de R$ 600 mil de seus empregados.



No último dia 08 de março, cerca de 200 mulheres do MST realizaram um ato na engenho Pereira Grande, exigindo a desapropriação da área e condenando as consequências econômicas e sociais do monocultivo de cana na região. Na ocasião elas foram cercadas por pistoleiros do engenho que disparara vários tiros contra as camponesas.



A impunidade incentiva a violência do latifúndio



No dia 23 de março de 2012, o trabalhador Rural Sem Terra Antônio Tiningo foi assassinado em uma emboscada quando se dirigia para o acampamento da fazenda Açucena, no município de Jataúba, agreste de Pernambuco. Tiningo era um dos coordenadores do MST na região.



No mesmo dia, pistoleiros atiraram contra famílias Sem Terra acampadas próximo à fazenda Serro Azul, no município de Altinho, também no agreste de Pernambuco. Duas mulheres e uma criança foram atingidas.
Em outubro do ano passado, o trabalhador rural Sem Terra José Amaro da Silva, desapareceu na zona da mata de Pernambuco quando saía do acampamento do MST no Engenho Brasileiro, município de Joaquim Nabuco, mais umas das áreas de conflito agrária do estado.



O MST e organizações de direitos humanos como a Terra de Direitos vem denunciando amplamente a violência no campo em Pernambuco: pistoleiros recebem R$ 50,00 por dia para atirarem contra trabalhadores rurais Sem Terra; fazendeiros andam armados e ameaçam agricultores até mesmo em suas próprias casas; a polícia atua como segurança privada de fazendas, intimidando e ameaçando famílias Sem Terra; delegados, juízes e promotores legitimam o uso de violência e de milícias armadas por parte de proprietários de terra; trabalhadores rurais desaparecem e são mortos em emboscadas.



Mas tanto o Governo Estadual, como o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e demais órgãos responsáveis parecem continuar de braços cruzados.



Fonte: 
Mais um Sem Terra assassinado em PE | MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra Disponível em: http://www.mst.org.br/Mais-um-Sem-Terra-assassinado-em-Pernambuco.

terça-feira, 27 de março de 2012

Humberto Costa pede empenho em investigação de morte de integrante do MST em Pernambuco

Da Redação
O senador Humberto Costa (PT-PE) lamentou nesta terça-feira (27), em Plenário, o assassinato do líder regional pernambucano do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Antonio Tiningo. O parlamentar informou que Tiningo foi assassinato na sexta-feira (23), no município de Jataúba (PE).
- Antonio Tiningo foi vítima de um covarde atentado, e como decorrência desse atentado, dessa emboscada perdeu sua vida. Recebeu dois tiros no momento em que trafegava com sua esposa ao longo de uma estrada que ligava dois assentamentos do MST – acrescentou.
Na opinião de Humberto Costa, esse episódio demonstra a trágica e tensa situação dos conflitos agrários no campo brasileiro. Segundo a polícia, disse o senador, o crime deve ter sido encomendado, visto que apenas Tiningo foi alvejado, tendo sua esposa saído ilesa.
- Desde fevereiro Tiningo vinha recebendo ameaças de morte pelo papel que ele executava como liderança regional do MST nas disputas de terras na região – afirmou.
Humberto Costa solidarizou-se com a família do militante e pediu empenho às forças policias “para o esclarecimento dos fatos”. O senador disse que os responsáveis pelo atentado e os mandantes do crime precisam ser punidos para que a impunidade não incentive outros crimes similares.
O senador aproveitou para reafirmar a importância da reforma agrária no país e disse que Pernambuco e São Paulo são dois dos estados brasileiros com mais histórico de luta por justiça no campo.
- Pernambuco, dos engenhos, tem sua história marcada pelas ligas camponesas, pelas lutas de Francisco Julião e Gregório Bezerra, personagens que marcaram sua trajetória por intermédio da luta contra o latifúndio, um problema que guarda relação direta com a miséria no campo – declarou.

Fonte:
PORTAL DE NOTÍCIAS DO SENADO FEDERAL. Humberto Costa pede empenho em investigação de morte de integrante do MST em Pernambuco. 27/03/2012. Online. Disponível em: http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2012/03/27/humberto-costa-pede-empenho-nas-investigacoes-sobre-morte-de-integrante-do-mst-em-pernambuco. Capturado em 27/03/2012
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Poderá ler também:











segunda-feira, 26 de março de 2012

Levante da Juventude faz protestos contra torturadores em sete estados | MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra

26 de março de 2012
 Da Página do Levante da Juventude

Jovens organizados pelo movimento Levante Popular da Juventude promoveram protestos em São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Fortaleza, Rio de Janeiro, Belém e Curitiba , nesta segunda-feira (26/3) contra agentes da ditadura militar que torturaram, mataram, perseguiram militantes e pela instalação da Comissão da Verdade.

Os jovens fizeram uma ação tradicional na Argentina e no Chile chamada de “escracho”, quando são realizados protestos para denunciar a participação de agentes dos regimes autoritários em perseguições, torturas e assassinatos. No Brasil, os jovens apelidaram a ação de esculacho.

As manifestações denunciam que agentes da repressão continuam impunes, apoiam a instalação da Comissão da Verdade e exigem a apuração e a punição dos crimes cometidos durante a Ditadura Militar.

A Comissão da Verdade tem como objetivo esclarecer situações de violação aos direitos humanos, ocorridas entre 1946 e 1988, como tortura, morte e ocultação de cadáveres. O órgão deve identificar os responsáveis pelas violações. Os jovens apoiam a presidenta Dilma a indicar os sete conselheiros que coordenarão os trabalhos.

As ações

Em São Paulo, cerca de 150 jovens realizaram um protesto contra o torturador David dos Santos Araújo, o Capitão "Lisboa", em frente a sua empresa de segurança privada Dacala, na Zona Sul da cidade de São Paulo. Ele é assassino e torturador, de acordo com Ação Civil Pública do Ministério Público Federal. A ação registra o seu envolvimento na tortura e morte de Joaquim Alencar de Seixas. Em agosto de 2010, o Ministério Público Federal ingressou com ação civil pública pedindo o afastamento imediato e a perda dos cargos e aposentadorias do delegado da Polícia Civil paulista pela participação direta de atos de tortura, abuso sexual, desaparecimento forçados e homicídios em serviço e nas dependências de órgãos da União.

No Rio de Janeiro, a juventude realizou ações contra David dos Santos, em frente à filial da empresa Dacala. Cartazes com escritos “levante contra tortura” foram fixados na porta da empresa. Ao mesmo tempo, outros integrantes do Levante penduraram uma faixa nos Arcos da Lapa com os dizeres “Levante-se contra tortura: em defesa da comissão da verdade”, enquanto outro grupo fazia panfletagem em frente ao Clube Militar.

Em Belo Horizonte, 70 jovens participaram da ação de escracho em frente à residência do torturador Ariovaldo da Hora e Silva, no bairro da Graça. A manifestação contou com faixas, cartazes e tambores, além de distribuírem cópias de documentos oficiais do DOPS, contendo relatos das sessões de tortura com a participação de Ariovaldo, para informar a população do currículo do vizinho.

Ariovaldo foi investigador da Polícia Federal, lotado na Delegacia de Vigilância Social como escrivão. Delegado da Polícia Civil durante a ditadura, exerceu atividades no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) entre 1969 e 1971, em Minas Gerais. Na obra Brasil Nunca Mais (Projeto A), ele é acusado de envolvimento na morte de João Lucas Alves e de ter praticado tortura contra presos políticos. Foram suas vítimas Jaime de Almeida, Afonso Celso Lana Leite e Nilo Sérgio Menezes Macedo, entre outros.

Em Porto Alegre, 100 jovens fizeram um ato pela manhã em frente à casa do Coronel Carlos Alberto Ponzi, ex-chefe do Serviço Nacional de Informações de Porto Alegre e um dos 13 brasileiros acusados pela Justiça Italiana pelo desaparecimento do militante político Lorenzo Ismael Viñas em Uruguaina (RS), no ano de 1980.

No Ceará, cerca de 80 pessoas realizaram a ação em frente ao escritório de advocacia do ex-delegado da Polícia Federal em Fortaleza (CE), José Armando Costa, localizado no bairro da Aldeota.

José Armando Costa foi delegado da Polícia Federal em Fortaleza no início da década de 70. À época, presos políticos relataram à Justiça Militar que a tarefa do delegado era fazer interrogatórios logo após as sessões de tortura e coagia-os a assinar falsos depoimentos sob ameaça. Costa aparece nos depoimentos de ao menos cinco ex-presos políticos torturados no Ceará, contidos no projeto Brasil Nunca Mais, da Arquidiocese de São Paulo.

Em Belém, cerca de 80 jovens realizaram o esculhacho no prédio do torturador e apoiador da ditadura militar Adriano Bessa Ferreira. Entregaram um manifesto à população convocando a sociedade a se posicionar em defesa da Comissão Nacional da Verdade e contra os torturadores.

Adriano Bessa atuou como delator de atividades de militantes que lutavam contra a ditadura. Seu nome consta de listas da extinta Comissão Geral de Investigações (CGI), criada para “apurar atos de corrupção ativa e passiva ou contrários à preservação e consolidação da Revolução Brasileira de 31 de março”. Além de ter prestado serviço militar, fez carreira no setor financeiro. Foi presidente do Banco do Estado do Amazonas, da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belém e gerente de agências bancárias. Foi também professor da Universidade Federal do Pará.

Em Curitiba, aconteceu um ato público na Boca Maldita, centro da capital paranaense, para denunciar os assassinatos, torturas e violações de direitos humanos na Ditadura Militar. Entre os denunciados está o tenente Paulo Avelino Reis, citado como torturador em documentos do Grupo Tortura Nunca Mais.

Levante Popular da Juventude

O Levante Popular da Juventude é um movimento social organizado por jovens que visa contribuir para a criação de um projeto popular para o Brasil, construído pelo povo e para o povo. Não é ligado a partidos políticos.

Com caráter nacional, tem atuação em todos os estados do país, no meio urbano e no campo. Se propõe a articular jovens, militantes de outros movimentos ou não, interessados em discutir as questões sociais e colaborar para a organização popular. Tem como objetivo propiciar que a juventude tome consciência da sua história e da realidade à sua volta para transformá-la.

O Levante organiza a juventude para fazer denúncias à sociedade, por meio de ações de Agitação e Propaganda. Não há bandeiras previamente definidas. A luta política se dá pelas pautas escolhidas pelos próprios militantes, que realizam atividades de estudo e debates, sistematicamente, por todo o país.


Abaixo, leia o manifesto da jornada de luta.

MANIFESTO LEVANTE CONTRA TORTURA

 
Mas ninguém se rendeu ao sono.
Todos sabem (e isso nos deixa vivos):
a noite que abriga os carrascos,
abriga também os rebelados.
Em algum lugar, não sei onde,
numa casa de subúrbios,
no porão de alguma fábrica
se traçam planos de revolta.

Pedro Tierra

 
Saímos às ruas hoje para resgatar a história do nosso povo e do nosso país. Lembramos da parte talvez mais sombria da história do Brasil, e que parece ser
propositadamente esquecida: a Ditadura Militar. Um período onde jovens como nós, mulheres, homens, trabalhadores, estudantes, foram proibidos de lutar por uma vida melhor, foram proibidos de sonhar. Foram esmagados por uma ditadura que cruelmente perseguiu, prendeu, torturou e exterminou toda uma geração que ousou se levantar.

Não deixaremos que a história seja omitida, apaziguada ou relativizada por quem  quer que seja. A história dos que foram assassinados e torturados porque acreditavam ser possível construir uma sociedade mais justa é também a nossa história. Nós somos seu  povo. A mesma força que matou e torturou durante a ditadura hoje mata e tortura a juventude negra e pobre. Não aceitamos que nos torturem, que nos silenciem, nem que enterrem nossa memória. Não esqueceremos de toda a barbárie cometida.

Temos a disposição de contar a história dos que caíram e é necessário expor e julgar aqueles que torturaram e assassinaram nosso povo e nossos sonhos. Torturadores e apoiadores da ditadura militar: vocês não foram absolvidos! Não podemos aceitar que vocês vivam suas vidas como se nada tivesse acontecido enquanto, do nosso lado, o que resta são silêncio, saudades e a loucura provocada pela tortura. Nós acreditamos na justiça e não temos medo de denunciar os verdadeiros responsáveis por tanta dor e sofrimento.

Convidamos a juventude e toda a sociedade para se posicionar em defesa da Comissão Nacional da Verdade e contra os torturadores, que hoje denunciamos e que vivem escondidos e impunes e seguem ameaçando a liberdade do povo. Até que todos os torturadores sejam julgados, não esqueceremos, nem descansaremos.

Pela memória, verdade e justiça!
Levante Popular da Juventude
Fonte:
SÍTIO DO MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Levante da Juventude faz protestos contra torturadores em sete estados. 26/03/2010. Online. Disponível em: http://www.mst.org.br/node/13086. Capturado em 26/03/2012  

domingo, 25 de março de 2012

Três sem terra são mortos em MG e enterrados no Domingo


Altamiro Borges: Três sem terra são mortos em MG: Por Altamiro Borges


Três lideranças do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) foram encontradas mortas no último sábado (24) na rodovia estadual MGC-455, entre Uberlândia e Campo Florido, no Triângulo Mineiro. Valdir Dias, de 39 anos, e Clestina Nunes, de 47, estavam no interior de um carro, com tiros na cabeça. Já Nilton Silva, 51 anos, foi morto quando tentava fugir da emboscada.

Segundo a Polícia Militar de Minas Gerais, uma criança de cinco anos estava no veículo e presenciou a chacina. Mesmo em estado de choque, ela descreveu a cena do crime. A PM ainda não sabe os motivos das mortes, mas afirma já ter pistas sobre os assassinos. A mídia local divulga a informação de que o crime decorreu de disputas entre os acampados da fazenda São José do Cravo.

Apuração e punição dos criminosos

Já o MLST divulgou nota oficial afirmando que os três dirigentes estaduais da organização foram assassinados pelo agronegócio da região. Eles lideravam o acampamento dos sem terra na fazenda, que era reivindicada pela Usina Vale do Tijuco. “A área foi objeto de audiência em 8 de março de 2012, não havendo acordo entre as partes. Dezesseis dias depois, as três lideranças que tinham uma expressiva atuação na luta pela terra na região e eram coordenadoras do acampamento foram assassinadas”.
“Trata-se de mais um crime executado pelo tão endeusado agronegócio, onde a vida e o direito de ir e vir não são respeitados. A impunidade e a ausência do Estado de Direito na região vem causando o aumento da violência e da tensão social”, afirma a nota da direção nacional do MLST. Ela também alerta que outras duas lideranças do movimento “estão na lista de morte”.
A nota ainda exige providências imediatas do governo de Minas Gerais e da Polícia Federal. “Não podemos mais ficar chorando a perda de pessoas. A obrigação do Estado é garantir o direito a vida de sua população, independente de classe social, cor e raça... Exigimos a prisão imediata dos fazendeiros, mentores intelectuais dos assassinatos, bem como dos seus executores”.
Fonte:
http://altamiroborges.blogspot.com.br/2012/03/tres-sem-terra-sao-mortos-em-mg.html?spref=bl

Sem-terramortos na MGC-455 são enterrados e autoridades chegam à cidade | Cidade eRegião | Correio de Uberlândia Online

O velório de Valdir Dias foi em Uberlândia,
mas o enterro foi em Fernandópolis

Foram enterrados neste domingo (25) os corpos dos sem-terra Milton Santos Nunes, Clestina Leonor Sales Nunes e Valdir Dias Ferreira. Eles foram mortos no sábado na MGC-455, a cerca de 40 quilômetros deUberlândia, próximo ao distrito de Miraporanga. A criança que estava no carro e foi poupada está com os pais no acampamento onde mora.

Durante o velório de Valdir Dias, em Uberlândia, o superintendente regional do Incra, Carlos Calazans, e o ouvidor agrário nacional, desembargador Gercino José da Silva Filho, estiveram na cidade e disseram que vão pedir a proteção do menor envolvido no crime, que pode ter ligação com disputas de terra.

Segundo Calazans, se o triplo homicídio for confirmado como sendo por conta do conflito agrário é o primeiro registrado com tamanha gravidade na região. As vítimas eram ligadas ao Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) e Milton e Clestina Nunes faziam parte da liderança do movimento na região do Triângulo Mineiro.

Há aproximadamente 4 meses, as três vítimas viviam em um acampamento a mais de 60 quilômetros de Uberlândia, na fazenda São José dos Cravos, no município de Prata. “Estou surpreendido, pois recentemente a Vara Agrária e o Incra visitaram aquela área e não fui procurado por ninguém falando sobre ameaça ou perseguição”, afirmou Carlos Calazans.

Segundo ele, a hipótese de execução é a mais forte, por isso uma força-tarefa será montada para a apuração do caso. O secretário de Defesa Social, Rômulo Ferraz, é esperado amanhã em Uberlândia para que o plano de investigação seja traçado.

Os corpos Milton Santos Nunes e Clestina Leonor Sales Nunes foram levados por familiares para o sepultamento em Cachoeira Dourada de Goiás, enquanto o de Valdir Dias Ferreira foi enterrado em Fernandópolis, São Paulo.

Vítimas foram executadas com tiros na cabeça

Os três sem-terra foram mortos enquanto vinham para Uberlândia, no final da manhã de sábado (24), depois que um homem em um carro prata conseguiu com que o motorista, Valdir Dias Ferreira, 40 anos, parasse ao lado de uma ponte sobre o rio Estiva, na MGC-455, próximo ao Distrito de Miraporanga.

O autor executou o condutor e o casal Milton Santos Nunes e Clestina Leonor Sales Nunes, 52 e 48 anos, com tiros na cabeça. Um menino de 5 anos, neto do casal e sobrinho de Valdir Ferreira, foi poupado pelo assassino.

Os tiros foram à queima-roupa, Milton Nunes foi o único que teve chance de fugir, mas foi baleado a poucos metros do carro. A hipótese de que seja uma execução é reforçada pelo fato de mais de R$ 1,6 mil das vítimas terem sido deixados no local.

A criança foi levada pela Polícia Militar e pelo Corpo de Bombeiros para o assentamento da fazenda São José dos Cravos, em Prata, lugar onde há cerca de 80 famílias e que foi invadido há aproximadamente 4 meses. “Milton e Clestina falavam em nome dos assentados em Belo Horizonte e Brasília. É preciso investigar isso, pois parece ser encomendado, não pode ficar impune”, disse um dos líderes do MLST no Triângulo Mineiro, José Francisco Moreira.
Fonte:
http://www.correiodeuberlandia.com.br/cidade-e-regiao/sem-terra-mortos-na-mg-455-sao-enterrados-e-autoridades-chegam-a-cidade/#.T2_a_Kc4rVI.blogger
 

Leia também:

  • Para polícia, hipótese para mortes de sem-terra em MG é ‘conflito interno’ | Boa Informação... A Polícia Civil de Minas Gerais trabalha com a hipótese de as mortes de lideranças do MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra) –com ao menos dois deles com tiros na cabeça–, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, terem ocorrido por conflito interno entre os militantes do grupo..... O coordenador nacional do MLST em Minas, Ismael Costa, classificou a ação como “uma verdadeira chacina” e disse que o triplo homicídio aprofundou a sensação de insegurança no movimento.

sábado, 24 de março de 2012

Monsanto obriga compra de sementes transgênicas para fornecer convencionais | MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra


Por Lorenna Rodrigues em 23 de março de 2012
Da Folha de S. Paulo

A SDE (Secretaria de Direito Econômico), do Ministério da Justiça, investiga a multinacional Monsanto pela prática de venda casada.
Segundo denúncia recebida pelo órgão, a empresa estaria obrigando agricultores a comprar sementes transgênicas para ter acesso às convencionais.

A Folha apurou que a averiguação é preliminar e corre sob sigilo. Procurada, a secretaria não quis comentar.

A Monsanto disse que não faz venda casada e que não tomou conhecimento de nenhuma investigação da SDE.

Se o órgão entender que há indícios de prática anticoncorrencial, poderá enviar parecer ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) pedindo a punição da multinacional. Se condenada pelo conselho, a empresa de biotecnologia poderá ter que pagar multa de até 30% de seu faturamento.

Denúncia

Em 2010, produtores de soja recorreram ao Cade contra o que chamavam de práticas abusivas da Monsanto. Na época, a empresa foi acusada de exigir que o agricultor apresentasse uma área plantada de 85% de transgênicos para que pudesse comprar sementes tradicionais.

Eles também denunciavam a cobrança de royalties muito altos, o que seria abusivo e impediria o acesso ao mercado de produtores menores. A reportagem tentou contato com a Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja), que representa o setor, mas o porta-voz da associação estava indisponível.

A Monsanto já foi investigada e punida pelo Cade por outras práticas consideradas prejudiciais à concorrência.

Em 2005, o conselho determinou que a multinacional retirasse de seus contratos cláusulas de exclusividade para a venda de ácido glifosato, que é usado na produção de herbicidas.

No ano seguinte, o Cade proibiu a celebração de acordos da Monsanto com comercializadores de semente e centros de pesquisa que impediam a utilização de tecnologia de transgênicos de outras empresas.


Fonte:
SÍTIO DO MST - Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Monsanto obriga compra de sementes transgênicas para fornecer convencionais. 23/03/2010. Online. Disponível em:  http://www.mst.org.br/Monsanto-obriga-a-compra-de-sementes-transgenicas-para-que-se-tenha-acesso-as-convencionais#.T2zOkcXa8H5. Capturado em 24/03/2012